"Pretty" Little Fox
Não sei se vcs. viram.... mas outro dia (a long time ago) no Jornal “O Estado de São Paulo” foi publicada uma matéria sobre a nova peça montada pela Luana Piovana. Na verdade matéria dizia respeito à montagem da peça “O Pequeno Príncipe “ de Antoine de Saint-Exupéry e de repente não mais que de repente a leitura que estava fadada à mesmice, me levou numa viagem de volta à adolescência e ao primeiro contato com essa obra.
Bateu uma nostalgia e corri para folhear (pela milésima vez nesta vida) o livro de Saint-Exupéry.....fiquei eufórica por ter lembrado da existência desse pequeno anjo... Se alguns de vcs já leram, devem saber que essa obra tem cara de livro infantil, desenho de livro infantil...e até pode ser lida na infância, mas nunca, jamais, será a mesma leitura de um adulto.... Na primeira vez que li achei gracioso, meigo e por que não, muito triste....depois de adulta confesso ter relido algumas vezes (mesmo porque é leitura que demanda algumas horas apenas – ao contrário do Chatô que leio desde o nascimento da Maria Fernanda e não consigo terminar, ehh laia), bom voltando...Nas releituras feitas quando adulta, descobri um livro sensível, profundo e por que não melancólico, repleto de extraordinárias mensagens que nos enchem o coração de paz.
Bom, queridos, ainda tocada com a lembrança do ‘Pequeno Príncipe”, separei um trecho para a leitura de vcs.....quem já leu, ótimo releitura, para quem ainda não leu...é uma dica para conhecer esse Pequeno Anjo....
XXI (O encontro com a raposa)
“E foi então que apareceu a raposa:
_Bom dia – disse a raposa.
_ Bom dia _ respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
_Eu estou aqui _ disse a voz_, debaixo de macieira...
_Quem és tu? Perguntou o principezinho, _Tu és bem bonita...
_Sou uma raposa _ disse a raposa.
_Vem brincar comigo _ propôs o principezinho. _ Estou tão triste....
_Eu não posso brincar contigo _ disse a raposa _ Não me cativaram ainda..
_ Ah! desculpa _ disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
_Que quer dizer “cativar”?
_Tu não és daqui _ disse a raposa. _ Que procuras?
_ Procuro os homens _ disse o principezinho. _ Que quer dizer “cativar”?
_ Os homens _ disse a raposa _ têm fuzis e caçam. É bem incômodo!Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?
_ Não _ disse o principezinho. _ Eu procuro amigos.Que quer dizer “cativar”?
_ É uma coisa muito esquecida _ disse a raposa. _ Significa “criar laços”...
_Criar laços?
_Exatamente _ disse a raposa. _ Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
_Começo a compreender _ disse o principezinho _ Existe uma flor....eu creio que ela me cativou....
_ É possível _ disse a raposa. _ Vê se tanta coisa na Terra...
_ Oh! Não foi na Terra _ disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
_ Num outro planeta?
_ Sim.
_ Há caçadores nesse planeta?
_ Não.
_ Que bom! E galinhas?
_ Também não.
_ Nada é perfeito _ suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
_Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se me cativares, minha vida será cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, de longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo pra mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de trigo. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo....
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
_ Por favor...cativa-me! _ disse ela.
_ Bem quisera _ disse o principezinho _ mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
_ A gente só conhece bem as coisas que cativa _ disse a raposa _ Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
_Que é preciso fazer? _ Perguntou o principezinho.
_ È preciso ser paciente _ respondeu a raposa _ Tu se sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
_ Teria sido melhor voltares à mesma hora _ disse a raposa. _ Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos...
.........
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
_ Ah! Eu vou chorar.
_ A culpa é tua _ disse o principezinho;_ eu não te queria fazer mal, mas tu quiseste que eu te cativasse...
_ Quis _ disse a raposa.
_ Mas tu vai chorar! _ disse o principezinho.
_ Vou _ disse a raposa.
_ Então, não sais lucrando nada!
_ Eu lucro _ disse a raposa _, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
_ Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente um segredo.
...
E voltou então à raposa:
_ Adeus _ disse ele...
_ Adeus _ disse a raposa. _ Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
_ Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
...
_ Os homens esqueceram essa verdade _ disse a raposa _ Mas tu não deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
Bateu uma nostalgia e corri para folhear (pela milésima vez nesta vida) o livro de Saint-Exupéry.....fiquei eufórica por ter lembrado da existência desse pequeno anjo... Se alguns de vcs já leram, devem saber que essa obra tem cara de livro infantil, desenho de livro infantil...e até pode ser lida na infância, mas nunca, jamais, será a mesma leitura de um adulto.... Na primeira vez que li achei gracioso, meigo e por que não, muito triste....depois de adulta confesso ter relido algumas vezes (mesmo porque é leitura que demanda algumas horas apenas – ao contrário do Chatô que leio desde o nascimento da Maria Fernanda e não consigo terminar, ehh laia), bom voltando...Nas releituras feitas quando adulta, descobri um livro sensível, profundo e por que não melancólico, repleto de extraordinárias mensagens que nos enchem o coração de paz.
Bom, queridos, ainda tocada com a lembrança do ‘Pequeno Príncipe”, separei um trecho para a leitura de vcs.....quem já leu, ótimo releitura, para quem ainda não leu...é uma dica para conhecer esse Pequeno Anjo....
XXI (O encontro com a raposa)
“E foi então que apareceu a raposa:
_Bom dia – disse a raposa.
_ Bom dia _ respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
_Eu estou aqui _ disse a voz_, debaixo de macieira...
_Quem és tu? Perguntou o principezinho, _Tu és bem bonita...
_Sou uma raposa _ disse a raposa.
_Vem brincar comigo _ propôs o principezinho. _ Estou tão triste....
_Eu não posso brincar contigo _ disse a raposa _ Não me cativaram ainda..
_ Ah! desculpa _ disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
_Que quer dizer “cativar”?
_Tu não és daqui _ disse a raposa. _ Que procuras?
_ Procuro os homens _ disse o principezinho. _ Que quer dizer “cativar”?
_ Os homens _ disse a raposa _ têm fuzis e caçam. É bem incômodo!Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?
_ Não _ disse o principezinho. _ Eu procuro amigos.Que quer dizer “cativar”?
_ É uma coisa muito esquecida _ disse a raposa. _ Significa “criar laços”...
_Criar laços?
_Exatamente _ disse a raposa. _ Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
_Começo a compreender _ disse o principezinho _ Existe uma flor....eu creio que ela me cativou....
_ É possível _ disse a raposa. _ Vê se tanta coisa na Terra...
_ Oh! Não foi na Terra _ disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
_ Num outro planeta?
_ Sim.
_ Há caçadores nesse planeta?
_ Não.
_ Que bom! E galinhas?
_ Também não.
_ Nada é perfeito _ suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
_Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se me cativares, minha vida será cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, de longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo pra mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de trigo. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo....
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
_ Por favor...cativa-me! _ disse ela.
_ Bem quisera _ disse o principezinho _ mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
_ A gente só conhece bem as coisas que cativa _ disse a raposa _ Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
_Que é preciso fazer? _ Perguntou o principezinho.
_ È preciso ser paciente _ respondeu a raposa _ Tu se sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
_ Teria sido melhor voltares à mesma hora _ disse a raposa. _ Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos...
.........
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
_ Ah! Eu vou chorar.
_ A culpa é tua _ disse o principezinho;_ eu não te queria fazer mal, mas tu quiseste que eu te cativasse...
_ Quis _ disse a raposa.
_ Mas tu vai chorar! _ disse o principezinho.
_ Vou _ disse a raposa.
_ Então, não sais lucrando nada!
_ Eu lucro _ disse a raposa _, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
_ Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente um segredo.
...
E voltou então à raposa:
_ Adeus _ disse ele...
_ Adeus _ disse a raposa. _ Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
_ Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
...
_ Os homens esqueceram essa verdade _ disse a raposa _ Mas tu não deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
