A Menina e o Mar

....tem gente que tem Mãe no Céu...
....tem gente que tem Mãe no Mar!!!!!!
I
Era uma princesa
Já órfã de mãe em pouca idade,
E que sempre vivera em cidade
De onde não se via o mar.
Mas ela,- Vamos chamar-lhe de Isla
–Sonhava, em sua alma deserta.
Com o que seria o mar,
E para onde ela iria
Se pudesse o alcançar.
II
Um dia, Isla
De beleza tão singela
Quanto uma concha
Casa vazia ecoando o mar,
Inesperadamente
Teve que da sua cidade dura
Por conveniência pura
Viu-se indo embora
Para uma outra cidade
Que era banhada por mar.
Isla, noite e dia,
Sonhava, e se banhavas,
E assim em sonho banhada,
Sentia-se já ilha
Cercada de mar, mar, mar...
III
E chegou o dia
Em que com infantil euforia
Sem mais idade para tanto
Quando viu o marIsla banhou-se em pranto.
Pranto, para tantos,
Até de amedrontar.
Era dor?Era medo?
O que Isla estava a prantear?
Isla calada,
Em pranto banhada,
Parada, mas não paralisada,
Abriu os braços
Num abraço fantasma,
E soluçava qual criança desesperada,
Num choro que só ela sabia,
Se o teor era de dor,
Ou de desatada alegria.
IV
O que ninguém,
Poderia adivinhar,
É que Isla, muito além,
Do que via além do mar,
Dentro daquelas ondas
Que cantavam na voz da sua mãe,
Que já não cantava mais.
Isla chorava,
E sentia que se entrasse,
Sua vida entregaria.
Porque o mar
Era a sua mãe perdida
Que a acalentava,
A abraçava,
E banhava,
Mas ela temia...
E ficou ali, abraçada
Com si mesma, a chorar,
Sentindo-se fraca,
Por temer tanto
Entrar no mar.
V
E do mar,
Em ondas desesperadas,
Uma voz materna acalentava,
Num som de doce marulhar:
“Isla, Isla...Hei de sempre te banhar,
Te cercar do sal que cura,
Água que no ventre traz,
Crias lindas demais...
Minha menina fique em paz.
Mas ficas aí onde estás...
És Isla, ainda pequenina,
E o mar é feito de inconstâncias infindas,
Além de profundas águas abissais.”
VI
E Isla, assim acalentada,perdeu o medo do mar.e entrou, até onde os seus pés,a sua limitação a lhe ancorar,assim que resolveu entrar,para se entregar,ao seu primeiro banho de mar.
Março de 2007.(Dora Nascimento/Recife).
....tem gente que tem Mãe no Mar!!!!!!
A MENINA E O MAR
I
Era uma princesa
Já órfã de mãe em pouca idade,
E que sempre vivera em cidade
De onde não se via o mar.
Mas ela,- Vamos chamar-lhe de Isla
–Sonhava, em sua alma deserta.
Com o que seria o mar,
E para onde ela iria
Se pudesse o alcançar.
II
Um dia, Isla
De beleza tão singela
Quanto uma concha
Casa vazia ecoando o mar,
Inesperadamente
Teve que da sua cidade dura
Por conveniência pura
Viu-se indo embora
Para uma outra cidade
Que era banhada por mar.
Isla, noite e dia,
Sonhava, e se banhavas,
E assim em sonho banhada,
Sentia-se já ilha
Cercada de mar, mar, mar...
III
E chegou o dia
Em que com infantil euforia
Sem mais idade para tanto
Quando viu o marIsla banhou-se em pranto.
Pranto, para tantos,
Até de amedrontar.
Era dor?Era medo?
O que Isla estava a prantear?
Isla calada,
Em pranto banhada,
Parada, mas não paralisada,
Abriu os braços
Num abraço fantasma,
E soluçava qual criança desesperada,
Num choro que só ela sabia,
Se o teor era de dor,
Ou de desatada alegria.
IV
O que ninguém,
Poderia adivinhar,
É que Isla, muito além,
Do que via além do mar,
Dentro daquelas ondas
Que cantavam na voz da sua mãe,
Que já não cantava mais.
Isla chorava,
E sentia que se entrasse,
Sua vida entregaria.
Porque o mar
Era a sua mãe perdida
Que a acalentava,
A abraçava,
E banhava,
Mas ela temia...
E ficou ali, abraçada
Com si mesma, a chorar,
Sentindo-se fraca,
Por temer tanto
Entrar no mar.
V
E do mar,
Em ondas desesperadas,
Uma voz materna acalentava,
Num som de doce marulhar:
“Isla, Isla...Hei de sempre te banhar,
Te cercar do sal que cura,
Água que no ventre traz,
Crias lindas demais...
Minha menina fique em paz.
Mas ficas aí onde estás...
És Isla, ainda pequenina,
E o mar é feito de inconstâncias infindas,
Além de profundas águas abissais.”
VI
E Isla, assim acalentada,perdeu o medo do mar.e entrou, até onde os seus pés,a sua limitação a lhe ancorar,assim que resolveu entrar,para se entregar,ao seu primeiro banho de mar.
Março de 2007.(Dora Nascimento/Recife).

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